Entenda semelhanças e diferenças entre golpe de 64 e tentativa do 8/1
Entenda semelhanças e diferenças entre golpe de 64 e tentativa do 8/1
Cora Fernandes 02 de abril de 2025 16:25

Tanto em 1964 quanto após a eleição de 2022, oficiais militares do Exército se insurgiram contra a soberania popular vinda do voto. Em ambos os casos, revelou-se o entendimento comum de militares de que eles devem definir o destino do país à revelia das escolhas populares e tutelando a sociedade civil.

 

Essa seria uma das principais semelhanças entre os dois episódios, segundo cientistas sociais. Para os especialistas, os dois casos reforçam a necessidade de reformas nas Forças Armadas.

 

Entre as principais diferenças entre os episódios históricos, estão a falta de coesão dos setores empresariais para o golpe após a eleição de 2022 e a falta de apoio internacional, especialmente do governo dos Estados Unidos.

 

O historiador Manuel Domingos Neto, professor aposentado da Universidade Federal do Ceará (UFCE), destacou que, em ambos os episódios, os militares atribuíram a si o direito de definir o destino da nação.

 

“Nós temos o espírito corporativo que diz que cumpre aos militares, em particular ao Exército, conduzir o destino do país. E essa sensação é a mesma em 1964 e 2022. Ela é persistente. O militar é criado nessa noção que ele recebe na sua formação”, destacou Neto, que pesquisa a história militar no Brasil.

 

A professora de história do Brasil da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Carla Teixeira destacou a rejeição de comandantes militares de aceitarem a liderança de um presidente civil escolhido pela população.

 

“Em 1964, assim como em 2023, temos um arranjo de grupos de poder que tentam barrar a vontade popular. O atual comandante do Exército, o general Tomás Paiva, revelou que o resultado eleitoral não foi o que os militares gostariam. Ainda que nem todos os oficiais tenham aderido ao golpe, é fato que eles não aceitavam a figura do Lula”, explicou.

 

Para Carla Teixeira, doutora em história pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a conjuntura desfavorável evitou que todos os oficiais aderissem ao golpe. “Dar o golpe é fácil, sustentar o governo depois é que é o problema. Os comandantes militares perceberam que não havia apoio na sociedade e no estrangeiro”, disse.

 

PROTAGONISMO DO EXÉRCITO

O cientista político Rodrigo Lentz, que estuda o pensamento político do militar brasileiro, destacou o protagonismo dos oficiais militares do Exército como importante semelhança entre os dois episódios.

 

“Em ambos os casos, os protagonistas foram oficiais militares, e não praças, e da sua maioria do Exército. A segunda principal semelhança é que esses militares se insurgiram contra a soberania popular aferida pelo meio eleitoral, que é o método legítimo para formação de governo”, comentou.

 

Outra importante semelhança entre os episódios foi o forte apoio dos setores do empresariado agrário. “A gente teve em 2022 um amplo apoio dos setores agrários à tentativa de golpe. Como ficou claro depois, nos inquéritos, que o pessoal do agro que pagou os acampamentos, como o próprio Mauro Cid [ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro] delatou”, disse a professora Carla Teixeira.

 

INIMIGO INTERNO E NEOLIBERALISMO

A doutora em história pela UFMG Carla Teixeira acrescentou ainda que, assim como em 1964, esse grupo que quis se perpetuar no poder construiu a ideia de inimigo interno a ser combatido.

 

“Em 64, havia, no âmbito da sociedade, a ideia de uma ameaça comunista. E hoje a gente tem a ideia do marxismo cultural, da ideologia de gênero, do globalismo, os professores, os cientistas, os artistas, enfim, todos esses grupos que foram alçados para o lugar de inimigo pelo governo Bolsonaro”, acrescentou Carla Teixeira.

 

Outra semelhança é o projeto de instituir uma política de corte neoliberal como política de Estado. “Durante o governo do Castelo Branco [1964-1967], foram instituídas várias medidas liberais que levaram a um aumento da desigualdade social, como o fim de direitos trabalhistas, a exemplo do direito à estabilidade no emprego”, avaliou.

 

A historiadora ressaltou que, no governo Bolsonaro, as políticas de corte neoliberal eram representadas pelo então ministro da Economia, Paulo Guedes, e pelo Projeto de Nação: o Brasil em 2035, lançado pelo Instituto General Villas Bôas, entidade que leva o nome de um dos militares de maior prestígio nas Forças Armadas.

 

“É um projeto que, basicamente, institui o neoliberalismo como política de Estado. Haveria a cobrança de mensalidade nas universidades públicas, cobrança de mensalidade no SUS [Sistema Único de Saúde] e assim por diante. Isso revela muito essa adesão dos militares a um projeto neoliberal”, completou.

 

DIFERENÇAS

Apesar das enormes semelhanças, muitas são as diferenças entre o golpe de 1964 e o movimento golpista que culminou com o 8 de janeiro de 2023. O especialista Rodrigo Lentz destacou que, em 1964, estávamos em plena Guerra Fria e existiam movimentos revolucionários espalhados na América Latina.

 

“Havia a Revolução Cubana de 1959. Havia ainda a grande novidade do processo eleitoral e grande instabilidade. Todos os resultados eleitorais foram questionados, houve sublevações de militares, sempre de extrema-direita. O cenário era muito distinto, analfabetos não votavam, o Brasil ainda estava em processo de urbanização”, lembrou Rodrigo Lentz.

 

Agora, em 2022, o contexto é outro. “Nós vínhamos de certa estabilidade político-eleitoral, com sucessivas alternâncias de poder com reconhecimento do resultado. Certa regularidade partidária. E também temos hoje uma sociedade democrática que se desenvolveu e se fortaleceu, o que tem diferença para o período pré-64, que o Brasil ainda engatinhava na construção da sua sociedade civil”, acrescentou.

 

"BANHO DE SANGUE"

O historiador Manuel Domingos Neto avalia também que a consciência democrática atual da sociedade brasileira difere do período pré-1964. “Por mais fragilizada que seja a consciência democrática brasileira, ela existe e existe, inclusive, como fruto da resistência à última ditadura”, disse.

 

O especialista ressaltou que as lembranças da última ditadura foram reavivadas, e isso desfavoreceu o movimento golpista recente, citando, como exemplo, o sucesso do filme Ainda Estou Aqui, que trata da ditadura.

 

“Há essa resistência ampla da sociedade. Os brasileiros que não conhecem o que foi a ditadura, por outro lado, sabem o que é a liberdade. Eles estão nas cidades, não é como no passado, que o Brasil era essencialmente rural. Isso faz diferença. O banho de sangue teria que ser muito grande para eles conseguirem se manter no poder”, analisou Manuel Domingos Neto.

 

APOIO DOS EUA

Entre as principais diferenças entre 1964 e a tentativa de golpe atual, a professora Carla Teixeira citou a falta de coesão dos setores empresariais e a falta de apoio externo.

 

“Não houve coesão da burguesia nacional e estrangeira. Em 1964, toda a burguesia era a favor do golpe. A burguesia agrária, a urbana, as classes médias, os grupos dominantes, nacionais e estrangeiros, e tinha amplo apoio dos Estados Unidos”, disse.

 

Dessa vez, destacou a especialista, os setores empresariais estavam divididos. Ela lembra, por exemplo, o apoio a Lula de Simone Tebet e Geraldo Alckmin, que seriam figuras que representam setores do empresariado.

 

“Tinha um grupo ali da burguesia que votou no Bolsonaro, mas que não estava disposto a dar o golpe. O custo político seria muito grande.”

 

Outro fator foi a posição dos EUA. “Você não dá um golpe sem combinar com a burguesia, sem combinar com grupos estrangeiros, e o Bolsonaro não fez nada disso. Ninguém dá golpe no Brasil sem apoio dos Estados Unidos”, completou.

 

Com informações da Agência Brasil

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Golpe em loja da Rua 44 causa prejuízo de R$ 285 mil
Golpe em loja da Rua 44 causa prejuízo de R$ 285 mil
Cora Fernandes 02 de abril de 2025 16:23

Uma loja de roupas country localizada na Rua 44, polo comercial de Goiânia, foi vítima de um golpe que resultou em um prejuízo de R$ 285 mil. A Polícia Civil, por meio da Central de Flagrantes da 1ª Delegacia Regional de Polícia (DRP), iniciou as investigações no último sábado (29), após a proprietária do estabelecimento registrar uma ocorrência de estelionato.

 

Segundo a investigação, as compras foram realizadas a distância com cartões de crédito falsificados. Os verdadeiros titulares contestaram as transações, o que levou a loja a identificar a fraude. Para retirar as mercadorias, os criminosos utilizaram intermediários, incluindo um freteiro contratado para buscar as roupas. Em depoimento à polícia, ele afirmou não ter conhecimento do golpe e colaborou com as diligências, revelando que os produtos seriam entregues a um ônibus de sacoleiros com destino a Ituiutaba (MG).

 

Os agentes localizaram o veículo e abordaram a responsável pela excursão. Durante o interrogatório, a mulher entrou em contato com o destinatário das mercadorias e o alertou sobre a ação policial, dificultando a captura do principal suspeito. Diante disso, ela foi presa pelos crimes de estelionato eletrônico, desacato e resistência à prisão.

 

Os freteiros também foram levados à Central de Flagrantes para prestar esclarecimentos. A investigação segue em andamento para localizar o responsável pelo golpe, que segue foragido.

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Caiado lança vacinação contra Influenza e reforça importância da imunização
Caiado lança vacinação contra Influenza e reforça importância da imunização
Cora Fernandes 02 de abril de 2025 16:18

O governador Ronaldo Caiado lançou, nesta terça-feira (1), a vacinação contra a Influenza em território goiano. Realizada pelo Governo de Goiás, em parceria com as prefeituras, a iniciativa tem como objetivo imunizar os grupos prioritários e ampliar o número de pessoas protegidas. “Não podemos quebrar aquilo que o Brasil sempre foi uma referência, que é o bom quadro vacinal de todas as doenças”, enfatizou Caiado. A meta estabelecida é imunizar pelo menos 90% do público-alvo. 

 

Durante o evento realizado na Unidade de Saúde da Família (USF), no conjunto Riviera, em Goiânia, Caiado ressaltou a importância da imunização para evitar casos graves de gripe e a sobrecarga nos hospitais. “A cobertura vacinal do ano passado foi de apenas 55% [no Brasil]. A consequência disso é a ocupação de leitos, riscos de vida e pessoas tendo de recorrer à UTI, impedindo que sejam tratadas ali vítimas de acidentes, por exemplo”, alertou. “A objeção coloca em risco a vida da pessoa, de familiares e toda a sociedade”, completou o governador. 

 

Goiás antecipou em 10 dias o início da vacinação em relação ao calendário nacional. Neste primeiro momento, o imunizante estará disponível apenas aos grupos prioritários, como idosos com 60 anos ou mais, gestantes e crianças a partir de seis meses até menores de seis anos, entre outros. Para dar o exemplo a população, o governador, que faz parte do grupo prioritário, recebeu a dose do imunizante durante o lançamento da vacinação. 

 

Com a proximidade do período crítico de transmissão, o secretário de Estado da Saúde, Rasível dos Reis, alertou para o período sazonal da Influenza, entre abril e maio. “A maneira mais eficaz de se evitar é a vacinação. Protege as pessoas e também o sistema de saúde, diminuindo a pressão por demanda de internação”, analisou. “Hoje é um dia importante, e a Prefeitura de Goiânia lança a vacinação com 14 postos. Isso será ampliado conforme a demanda”, garantiu o prefeito da capital, Sandro Mabel.

 

A gestante Beatriz Laval foi uma das primeiras pessoas a ser imunizada em Goiânia.  “A vacinação me protege, e também a minha criança”, pontuou. Já a lavradora Débora Barros estava na unidade de saúde para uma consulta de seu filho, de 1 ano e 10 meses, e já aproveitou para garantir a proteção dele. “É muito importante para a saúde do meu bebê”, afirmou. 

 

PÚBLICO-ALVO

Este ano, a vacina contra a Influenza foi incorporada ao Programa Nacional de Vacinação (PNI) para crianças menores de seis anos, idosos com mais de 60 anos e gestantes. Com a mudança, a imunização desses grupos será realizada de forma contínua, ao longo do ano, e não mais apenas durante as campanhas sazonais.  

 

Durante o período da vacinação contra Influenza, a vacina também está disponível para puérperas, povos indígenas, trabalhadores da saúde, da educação e dos correios, pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, pessoas com deficiência permanente, profissionais das forças de segurança e das forças armadas, caminhoneiros, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros, trabalhadores portuários, funcionários do sistema prisional, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas e população privada de liberdade.

 

NÚMEROS

A vacina de 2025 é trivalente e protege contra os vírus H1N1, H3N2 e Influenza B. Até o momento, Goiás já recebeu duas remessas, totalizando 672 mil doses. O estado deve receber, ao todo, mais de 2,8 milhões de vacinas ao longo da campanha. O imunizante estará disponível em mais de 900 salas de vacinação em todo o estado. 

 

Em 2024, a cobertura vacinal para a Influenza foi de 55,19% no país e 48,67% em Goiás, percentual considerado abaixo do ideal pelas autoridades de saúde. O Dia D de Vacinação será realizado no dia 10 de maio. 

 

Este ano, Goiás já registrou 2.122 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), 96 delas causadas por Influenza.  As chamadas SRAGs são as formas graves tanto de Influenza como de outros agravos respiratórios e, em geral levam à internação, podendo resultar no óbito do paciente. Quatro mortes foram confirmadas por Influenza A este ano no estado e uma por Infuenza B e outros sete óbitos por SRAG estão em investigação.

 

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